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Ter casa ou carro no nome ajuda na aprovação do visto americano?

    Ter casa ou carro no nome ajuda na aprovação do visto americano

    Saiba de uma vez por todas se ter casa ou carro no nome ajuda na aprovação do visto americano!

    Uma das dúvidas mais frequentes sobre o processo de visto americano é: possuir um carro ou um imóvel no nome aumenta significativamente as chances de aprovação?

    Sem dúvida, é uma questão pertinente, uma vez que imóveis e automóveis constituem patrimônio, e patrimônio constitui vínculo no país de origem (um dos critérios mais importantes na análise de um perfil).

    Contudo, o processo do visto americano tem uma lógica própria, com critérios próprios, e a resposta para a questão acima, apesar de simples, contraria o que a princípio poderia parecer natural.

    Sendo assim, tentaremos respondê-la de maneira breve e honesta, abordando algumas situações específicas em que a resposta pode variar.

    Boa leitura!

    Ter carro ou casa no nome influencia a aprovação do visto?

    Começamos com a resposta curta e direta: ter carro ou casa praticamente não influencia na aprovação do visto americano de turismo ou negócios.

    Na maioria dos casos, não influencia em absolutamente nada.

    O motivo é muito simples: os critérios do processo são outros.

    Contudo, há casos em que o patrimônio pode influenciar.

    Vejamos com mais detalhes.

    O DS-160 não pede carro, nem imóvel

    O primeiro ponto — objetivo e incontestável — que justifica a resposta anterior é o formulário DS-160.

    Ele é a base de toda a análise do pedido de visto e não possui qualquer campo para declarar bens patrimoniais, como imóveis, veículos ou outros ativos físicos.

    Embora, como dissemos, esses ativos sejam evidência claríssima de vínculos com o país de origem, e sejam não somente avaliados, mas determinantes em processos de vistos para outros países, no visto americano não é assim.

    Basta pensar o seguinte: se fossem realmente importantes no processo, como não haveria espaço para sequer mencioná-los no DS-160?

    Se o próprio formulário oficial do governo americano não solicita esse tipo de informação, é porque ela não é considerada central para a análise do visto.

    No Ds-160, não se informa:

    • casa própria;
    • apartamento;
    • carro;
    • moto;
    • terrenos;
    • ativos financeiros;
    • patrimônio acumulado.

    Como se pode ver, há nisto pontos positivos e pontos negativos.

    A entrevista raramente aborda patrimônio

    Além de não constar no DS-160, a posse de carro ou casa raramente é mencionada na entrevista consular.

    Na maioria dos casos, o oficial não pergunta se o solicitante tem imóvel, veículo ou qualquer outro bem.

    E, como já abordamos anteriormente, a maior parte das entrevistas é encerrada sem que documentos adicionais sejam requisitados, pode-se dizer que o patrimônio é quase irrelevante no processo.

    Mais adiante abordaremos as exceções.

    O que realmente pesa na aprovação do visto americano

    O fator mais relevante, segundo os critérios adotados pelo Consulado, é, de longe, a renda mensal, caso o solicitante seja o pagante da própria viagem.

    Não a riqueza abstrata, nem o patrimônio imobilizado, mas capacidade financeira real e recorrente.

    Se pensarmos bem, isso pode fazer algum sentido, uma vez que, caso o solicitante possua imóveis, sua situação financeira será melhor caso consiga fazê-los gerar renda para si (aumentando sua renda mensal) e pior caso os imóveis sejam meros passivos.

    De qualquer forma, a análise da capacidade financeira feita pelo Consulado concentra-se nos seguintes pontos:

    • qual a sua ocupação principal;
    • há quantos anos você a exerce;
    • quanto você ganha por mês;
    • se sua renda é compatível com a viagem pretendida;
    • se há coerência entre profissão e ganhos mensais.

    Isso quer dizer que emprego formal, renda estável e atividade profissional consistente, para o visto americano, fazem muito mais diferença do que ter um carro na garagem ou um imóvel quitado.

    Os vínculos com o país de origem

    Muito provavelmente, quando o solicitante pesquisa e encontra a informação de que “vínculos” são fundamentais no processo de visto americano, intuitivamente surge a ideia (em tese, correta) de que ter imóveis ou automóveis são vínculos claros.

    Quer dizer: quanto maior o patrimônio da pessoa no Brasil, mais improvável é que ela abandone o país para tentar a vida em outro lugar.

    Isso é, decerto, bem razoável, e acreditamos, inclusive, que deveria haver espaço para mencionar patrimônio no DS-160, uma vez que patrimônio é necessariamente vínculo.

    O fato, porém, é que não há espaço para mencioná-lo.

    Os três vínculos mais importantes, no processo de visto americano, podem ser resumidos assim:

    • profissionais (ocupação, experiência profissional e renda);
    • familiares (estado civil, com quem mora, tem filhos ou não);
    • acadêmicos (no caso de estudantes, cursos em andamento).

    Ou seja: um emprego ativo, um negócio em funcionamento ou uma carreira em andamento têm peso muito maior do que qualquer bem material no processo de visto americano.

    Este tipo de vínculo é o que, aos olhos do Consulado, fará com que o solicitante tenha de retornar ao Brasil após a viagem.

    O consulado tem acesso a informações patrimoniais?

    Aqui, uma pergunta espinhosa e muito relevante, que novamente tentaremos responder com honestidade.

    Pela nossa experiência, não há indicação de que o consulado consulte bases patrimoniais brasileiras rotineiramente para decidir vistos de turismo.

    É verdade: não sabemos com segurança o que exatamente o Consulado tem acesso, e o que verifica rotineiramente.

    Também é verdade que já presenciamos casos em que patrimônio foi levado em consideração.

    Contudo, mais uma vez: patrimônio não é solicitado no DS-160 e raramente é mencionado na entrevista, o que indica que ele não faz parte do núcleo da decisão.

    Patrimônio pode ajudar em algum caso?

    Agora, vamos às exceções.

    Há casos em que, sim, o patrimônio pode ajudar.

    O primeiro deles é quando o oficial consular solicita comprovações de renda, e o solicitante lhe entrega a declaração de imposto de renda.

    Neste caso, o oficial consular terá evidente acesso ao patrimônio do solicitante, e certamente o avaliará.

    Caso se trate de um solicitante que, por qualquer motivo, tenha levantado alguma suspeita, ou tenha vínculos meio instáveis ou dúbios, ter imóveis no nome será um diferencial, e passará maior segurança ao oficial consular.

    Outro caso evidente (e não tão raro), é quando o oficial consular pergunta diretamente se o solicitante possui casa própria.

    Quando isso ocorre, o patrimônio obviamente está sendo levado em consideração.

    Porém, fazemos uma nota: ainda nestes casos, o imóvel entra como fator secundário, e não como fator principal.

    Conclusão

    Ter carro ou casa não é requisito e não aumenta significativamente as chances de aprovação do visto americano.

    Em casos específicos, pode atuar como um diferencial, mas, ainda assim, não é central ao processo.

    Portanto, se você não tem bens no seu nome, não se preocupe, provavelmente este fato sequer será levado em consideração.

    Se, contudo, você os possui e gostaria de utilizá-los para fortalecer o seu pedido de visto, você precisará fazer com que eles gerem renda para você.